Transformação digital nas PMEs: por que só trocar de sistema não basta

Diretor da GestãoPro analisa por que a maioria dos projetos de transformação digital em PMEs entrega menos do que promete

A digitalização de pequenas e médias empresas avança no Brasil, mas a métrica que importa não é quantas migraram para a nuvem, e sim quantas mudaram a forma como tomam decisão. Levantamentos do setor de tecnologia mostram um descompasso relevante: segundo dados da FGV-CIA (Centro de Tecnologia de Informação Aplicada), cerca de 80% das médias empresas brasileiras já utilizam algum sistema integrado de gestão, mas esse índice cai para algo entre 35% e 40% entre micro e pequenas empresas, onde a gestão ainda depende de planilhas isoladas.

O custo de digitalizar sem redesenhar

Dados da Gartner e da McKinsey indicam que 70% dos projetos de transformação digital falham em atingir os objetivos estratégicos originais, sejam eles retorno sobre investimento, adoção pelo time ou prazo de implementação. A origem do problema, segundo a Gartner, raramente está no software: entre 60% e 70% dos fracassos em sistemas de gestão empresarial decorrem de resistência cultural, ausência de revisão de processos e governança inadequada antes da automação.

“O gargalo raramente é tecnológico”, afirma Edson Souza, Diretor da GestãoPro, empresa especializada em sistemas de gestão para pequenas e médias empresas. Para ele, a ferramenta certa aplicada sobre um processo mal desenhado tende a reproduzir a ineficiência anterior, apenas em formato digital.

Onde está o divisor de águas

O crescimento do mercado de ERP (sistema de gestão empresarial) no Brasil segue acelerado. Segundo a IDC Brasil, o setor projeta expansão anual superior a 10%, impulsionada pela migração para soluções em nuvem e pela necessidade de adequação à Reforma Tributária. Mas o indicador de maturidade digital das PMEs brasileiras ainda é baixo: a Pesquisa de Maturidade Digital dos Pequenos Negócios, do Sebrae em parceria com a ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial), aponta média de 37 pontos em uma escala de 0 a 80. O estudo mostra que 98% das PMEs já têm acesso à internet, mas apenas uma fração usa dados integrados de ERP e CRM (sistema de gestão de relacionamento com os clientes) para decisão estratégica.

Segundo a McKinsey e o próprio Sebrae, empresas que avançam de um estágio básico de maturidade digital para um ambiente integrado e automatizado registram ganho médio de produtividade entre 15% e 25% nos primeiros 12 a 18 meses, com redução de até 40% no tempo dedicado a tarefas administrativas repetitivas, como digitação manual, conciliação bancária e checagem de estoque.

Para o Diretor da GestãoPro, o padrão observado junto a clientes de pequeno e médio porte reforça a tese: redesenho de processo antes da escolha da ferramenta, indicadores de gestão claros atrelados ao projeto e patrocínio direto da liderança, não delegação exclusiva ao time de TI, são os fatores que separam digitalização real de simples substituição de sistema.

Perguntas frequentes

Por que projetos de ERP falham mesmo com o software funcionando corretamente?

A maioria das falhas em sistemas de gestão empresarial tem origem em fatores de processo e cultura organizacional, não em limitação técnica. Segundo a Gartner, entre 60% e 70% dos fracassos em implementações de ERP decorrem de resistência cultural, ausência de revisão de processos e governança inadequada antes da automação.

Qual o ganho de produtividade esperado em uma PME que digitaliza a gestão corretamente?

Empresas que avançam de um estágio básico de maturidade digital para um ambiente integrado registram ganho médio de produtividade entre 15% e 25% nos primeiros 12 a 18 meses, segundo dados do Sebrae e da McKinsey.

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