Crédito avança no Nordeste, mas empresário ainda esbarra na opacidade do sistema

# Crédito avança no Nordeste, mas empresário ainda esbarra na opacidade do sistema

O Nordeste vive um dos seus melhores momentos no crédito. O saldo total das operações na região passou de R$ 953 bilhões em meados de 2025, segundo dados do Banco Central reunidos em relatório do Banco do Nordeste. O crescimento foi de 13,6% em 12 meses, acima da média nacional, que ficou em 10,7% no mesmo período. Para empresas, a expansão foi ainda maior: 14,3%. No mercado imobiliário, os lançamentos da região avançaram 27,4% no último trimestre do ano, segundo a CBIC, o maior crescimento entre todas as regiões do país fora do Norte.

Os números, no entanto, contam apenas parte da história. A oferta de crédito cresce, mas o caminho até ele permanece opaco para a maior parte do empresariado regional. Quem tenta tomar uma linha mais sofisticada, como capital de giro com garantia, crédito imobiliário corporativo ou modernização de frota com lance estruturado em consórcio, encontra um sistema que está consolidado em São Paulo, mas chega ao Nordeste em ritmo bem abaixo da demanda.

Um exemplo ilustra a opacidade. Quando uma empresa solicita crédito, é classificada por aquilo que o mercado financeiro chama de agente comercial. Trata-se de uma nota de risco corporativo, em geral organizada em letras de A a H, que define em quais linhas e a que custo aquela empresa pode acessar capital. A maioria dos donos de pequenas e médias empresas nunca ouviu falar do termo, e descobre sua existência apenas quando o crédito é negado. A informação técnica, presente em qualquer manual de risco bancário, raramente sai do balcão.

É nesse vão entre o não e o porquê do não que opera Alex Araripe. Suas duas empresas atendem pontas opostas da mesma jornada. A InfinitoCred, consultoria financeira com mais de 20 anos de mercado e mais de 30 franqueados no Brasil, é especializada em reabilitação de crédito: aumento de score, limpeza de nome, regularização de CPF e CNPJ, consultoria patrimonial. Atende quem foi recusado pelo banco e ainda não tem clareza do porquê. A HC Consórcio entra depois, quando o cliente já está apto a tomar uma operação, e estrutura o acesso ao crédito por meio de consórcios, com lance estratégico no lugar da linha bancária tradicional, mais cara e menos flexível.

Natural de Natal (RN) e com base em Alphaville, na Grande São Paulo, Araripe começou a empreender aos 9 anos, num box do Ceasa da capital potiguar. É essa trajetória, transitando entre dois mercados em estágios muito diferentes de maturidade financeira, que ele cita para explicar a tese central das duas empresas: levar à realidade nordestina os instrumentos que circulam livremente em São Paulo, sem a barreira do jargão e do score.

O trabalho se desdobra em três frentes. Para o empresário que precisa de capital de giro, modernizar frota ou adquirir um imóvel para a operação, a estrutura passa por consórcio com lance estratégico, em vez do crédito tradicional, mais caro e menos flexível. Para a pessoa física travada por restrição comercial, o ponto de partida é o diagnóstico dentro da InfinitoCred: entender por que o crédito foi negado, tratar a origem do problema e só então acessar uma linha viável. Já para o investidor, o consórcio é tratado como mecanismo de alavancagem patrimonial, em que cotas contempladas integram uma estratégia de longo prazo. Em todos os casos, o pilar é o mesmo: planejamento antes de produto.

O empresário, e mesmo o consumidor, acessa crédito todo dia. O que ele não acessa é estrutura. Ele consegue um empréstimo, mas não consegue uma arquitetura financeira pensada para o próximo ciclo de vida do negócio dele ou da família dele. Em São Paulo, isso virou commodity há pelo menos cinco anos. No Nordeste, ainda é raridade.

O pano de fundo continua sendo macroeconômico. O Banco do Nordeste fechou 2025 com R$ 7,83 bilhões contratados só em Pernambuco, salto de 73% em relação aos quatro anos anteriores. O crédito imobiliário no Rio Grande do Norte avançou 14,6%, chegando a R$ 15,59 bilhões. O dinheiro chegou. O que está em disputa agora é quem vai ajudar o empresário e o consumidor a usá-lo bem, e em que linguagem.

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