Sophia Martins analisa imóveis menores e o m² cada vez mais valorizado no Brasil

Especialista explica como localização, serviços, tecnologia e novos estilos de vida estão redefinindo o valor dos imóveis e defende uma linguagem mais simples para aproximar o consumidor do mercado imobiliário

A redução das plantas deixou de ser apenas uma resposta à falta de espaço nas grandes cidades. Preço dos terrenos, juros, novos arranjos familiares, mudanças no estilo de vida e busca por liquidez estão redesenhando o produto imobiliário brasileiro.

Uma mudança importante: estamos comprando menos metros quadrados ou uma nova forma de morar?

Apartamentos menores avançam enquanto incorporadoras passam a concentrar parte do valor do empreendimento em localização, serviços, áreas compartilhadas, conveniência, tecnologia e experiência. Essa transformação já não está restrita ao segmento econômico e começa a aparecer também no médio e alto padrão.

Sophia Martins, executiva e especialista no mercado imobiliário, propõe olhar para essa mudança por outro ângulo:

“O mercado não está simplesmente vendendo menos metros quadrados. Está tentando colocar mais valor dentro de cada metro quadrado.”

A pauta pode explorar como essa transformação afeta incorporadoras, investidores e consumidores e discutir se metragem ainda é uma medida suficiente para determinar o valor de um imóvel.

Do mercado complexo para uma linguagem simples

A discussão também se conecta a um problema que Sophia identifica depois de mais de uma década atuando no setor: apesar de o imóvel estar entre as decisões financeiras mais relevantes da vida de grande parte dos brasileiros, a linguagem do mercado continua excessivamente técnica.

Termos como valor venal, alienação fiduciária, incorporação, patrimônio de afetação, CET, registro, escritura e financiamento fazem parte de uma compra que movimenta centenas de milhares de reais, mas muitas vezes são pouco compreendidos pelo próprio consumidor.

Foi a partir dessa percepção que Sophia Martins criou o Descomplicando o Mercado Imobiliário, projeto educacional que acaba de ser lançado com uma proposta inspirada na lógica de aprendizado do Duolingo: transformar assuntos complexos em conteúdos simples, curtos, progressivos e fáceis de incorporar à rotina.

A ideia é fazer com o mercado imobiliário o que plataformas de aprendizagem fizeram com outros temas: reduzir a barreira de entrada sem reduzir a qualidade da informação.

“Não quero ensinar todo mundo a trabalhar no mercado imobiliário. Quero que mais pessoas consigam entender um mercado que influencia diretamente onde elas moram, como investem e uma das maiores decisões financeiras de suas vidas.”

No fundo, as duas discussões se encontram no mesmo ponto: o mercado imobiliário mudou. Agora, a forma de entendê-lo também precisa mudar.

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